Di Função - Neno текст песни

Текст песни Neno - Di Função




O Neno era sem pai, a mãe que te sustenta
Sofredora, mas não se lamenta
Trabalha em casa de família pra não passar fome
O Neno era pivete, hoje um homem, então
Capão Redondo, cara de chão
Num barraco de madeira entre o esgoto e o lixão
Extremo sul, distante da cidade
Ali mora o descaso, a realidade
A maioria preto e nordestino
Em São Paulo (huh), sem destino
Criado na rua e sem direito a nada
Neno, mais um moleque da quebrada
Oitenta e sete, né, me lembro bem
Sua mãe desesperada vendo o filho na FEBEM
Parou com a escola, se viciou
Resolveu sair de casa, o que adiantou?
O Neno crescendo
Sua mãe segue lutando
As coisas tão difícil
Dinheiro faltando
Ele olha a sua volta
E a revolta agrava
Sentimento de culpa
O Neno acumulava
Sem dignidade
Sem estrutura
Doze de idade
Enfrentando a vida dura
Sofreu na pele
Passou vários veneno
É, ouviu falar do Neno?
Aos 18 chegou
Ganhou maioridade
Filho criado sem pai
Em meio às dificuldades
A sua mãe serve a Deus numa igreja cristã
E o Neno no crime cheirando até de manhã
A vida deu a ele valores desiguais
A sua dor não era filme, os factos são reais
Capão Redondo, três da madrugada
Moleque é metralhado, morto na calçada
Era o retrato da rua, assim como é
Finado Quinho, neguinho do Jardim Imbé
Fiquei sabendo de uns caras tavam na sua bota
Um justiceiro sangue-ruim, ex-polícia da ROTA
Desacreditadão tava o Neno, rapaz
pra cima e pra baixo, de Suzuki, no gás
Criminoso quer IBOPE, quer mostrar que bem
Até chegar o DEPATRI e tomar tudo o que tem
E por o Neno vai, empolgado no sucesso
Ponto 40 e Glock é fácil o acesso
Seu mundo agora é esse
Não tinha mais jeito
Num caminho sem volta
O que feito feito
E por aqui o Neno é rei é o herói da molecada
Mas tem covarde na maldade armando cilada
A inveja é uma merda, mas valendo
ouviu falar do Neno?
Aliadão de um mano lá, um tal de Davi
Disse pra mim que é sangue-bom, até então nunca vi
De vez em quando ele cola numa sete galo-preto
É correria no dinheiro, se adianta numas treta
Ele é um cara firmão que se deu sempre bem
Ouro no pescoço à custa de alguém
Tem fama de patrão, sai com várias mina
Negócio lucrativo, boca de cocaína
pela ordem, né? O Neno é o gerente
Toma conta da favela e abastece os cliente
Dinheiro fácil é fácil, vai fácil também
Soldado do tráfico morto cito mais de cem
Talvez fosse pro Neno sua última opção
Será que o esforço da sua mãe foi em vão?
Repara nos pivete quando o pai é ausente
Sem dinheiro, a mesma merda, Natal sem presente
Infância infeliz, futuro duvidoso
Nascem, morrem num ciclo vicioso
O Neno agora leva uma, tem dinheiro pra gastar
Festa, vagabunda, roupa de marca e
Veja só, olha como é o destino
Foi te empurrando pro crime no desbaratino
Morrer dessa forma? Não, não, não podendo
É, ouviu falar do Neno?
O Neno pedido, fugido da quebrada
Ripou um pilantra na semana passada
O boato rolando e o seu nome envolvido
Traficante da sul deixa outro estendido
É mau pro Neno, resta uma saída
Sair fora do crime que a passagem de ida
Mas não, ele insiste, quer viver nesse drama
Desavenças deixa quieto, o problema é a grana
Seu futuro é indiferente, não importa mais
Envolvido até o pescoço, agora é tarde demais
Jurado de morte na mão dos gambé
Abandono dos comparsa, sei qual que é
Destacado dos rolê dos amigos de infância
Pressentindo algo mau, o Neno vive à distância
Armado, ligeiro com quem se aproxima
Se liga naquele Tempra que virou a esquina
Subindo, vindo na sua direção
Com três maluco dentro: Aí, Neno, sei não
Nem tentou reagir, não dava mais pra correr
Depois de vários que matou, chegou sua vez de morrer
Vinte e poucos anos se acabaram assim
Morto a tiros de pistola, pro Neno era o fim
Vai vendo, ouviu falar do Neno?





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