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Atrás das grades de passagem, na triagem
saudade da liberdade de você irmão
Solidão pra quem dentro dum pote
Saudação ao parceiro seu que é forte
Atrás das grades de passagem, na triagem
saudade da liberdade de você irmão
Solidão pra quem dentro dum pote
Saudação ao parceiro seu que é forte
As cinco e meia tem contagem, no fim da madrugada
Levanta praia, tarde, vai ducha gelada
Ninguém se importa, calejou a mente e os ossos
vem o moca, cadê o cartucho pros marrocos?
Troca faxina, ninguém se cansa
Mesma rotina, as oito abre a tranca
Mas desde cedo na notícia da televisão
Arde o sol, novo dia, nova oração
Esperanças, agradecimentos
Com nada de abonância, vontade de sair de dentro
Da ilha, da liberdade privada
Da sua vida matriculada que atrasa
Que prende e não passa, um tempo que nem sempre muda
Vai pra casa e pra quebrada, solto sem nada pra rua
Vários fatos, histórias dos companheiros
Quem recolhe o pau ou quem vai pra sua ducha primeiro?
Parece muito, mas aqui é real rotina
Paga a luz antes de tudo, mano, acende a tia
Rapa na galeria blindada que quase vem vazia
Come o que tinha, se vira, sem comprimido, palinha
A é a cura que fica
Entorpecentes, meu peso de régua
Passos diferentes, então duzentos vale uma moeda
Pra rabiscar, uma g vale um pacote
Atende o celular, cuidado com o pote
Baralho, contravenção na ilha
Pátio lotado com vidas desiludidas
Acredita? Ora
Pra passar o sofrimento, tenta esquecer fora
Tenta passar o tempo, normal
Mas muda num segundo
Um salve da geral quebra tudo vagabundo
Então vem o mal, opressão de ladrão
tiro na radial, será que é o choque no pavilhão?
Cola de novo na parede a foto dos seus filhos
Diretor se sente poderoso, criando espinho
A tranca não regenera
Deixa esperança e motivação pra voltar pra guerra
Quanto salve, viva, lembranças
Quanta jumbada, visita, quantas crianças
Eu vou orar, vou pedir com vontade a liberdade
Atrás das grades de passagem, na triagem
saudade da liberdade de você irmão
Solidão pra quem dentro dum pote
Saudação ao parceiro seu que é forte
Atrás das grades de passagem, na triagem
saudade da liberdade de você irmão
Solidão pra quem dentro dum pote
Saudação ao parceiro seu que é forte
Sofrimento de um preso que sofre
Sentimento pela saudade que é forte
Saudade dos amigos, da sua família
Saudade dos seus filhos e também da sua querida
Mas a te rege, te sustenta, é forte
A casa pede, pediu trinta dias de pote
Mas passou tudo, mas a saudade não
Vários assuntos, ladrão, eu tombo até irmão
A malandragem é verdadeira nos raios
Coletividade foi firmeza com os matriculados
Eu vi o pátio, detento, a faxina
Sou partidário dessa porra da penita
Mas tem que ser forte, humilde e respeitado
Pra lei é o crime, é mais um matriculado
Que ali te prende e te esquece
Liberdade é o diadema que desde 97
No faroeste, no bang-bang
Onde tudo acontece em qualquer instante
Por qualquer motivo ou por falta de prosa
Bula de bandido é o que tem pra passar a hora
Tem missão na bola, rotina dum pátio
A sua senhora visita depois dum pelado
Eu sei que é triste, comovente na frente
No crime, não sofre a gente
Que sente ou sentia agonia, família
Visita que termina à tardezinha
Levando e ficando, vários sentimentos
Lembrando, sonhando, a visita, o detento
Imaginando, eu volto a ler seu pipa
Por que está preso, mano, mas não as suas escritas?
Meu pai relata que eu transformo em rima
E ainda a sua carta me trouxe alegria
Dizia: "Te amo, fica com Deus, meu filho
Vou acabando com o tumulto no presídio"
Alguém me chamando, é a voz do irmão
Salve, outra rebelião
Atrás das grades de passagem, na triagem
saudade da liberdade de você irmão
Solidão pra quem dentro dum pote
Saudação ao parceiro seu que é forte
Atrás das grades de passagem, na triagem
saudade da liberdade de você irmão
Solidão pra quem dentro dum pote
Saudação ao parceiro seu que é forte





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